Cida Borghetti defende prioridade para educação infantil

A vice-governadora Cida Borghetti (PP) conta com a possibilidade do governador Beto Richa (PSDB) deixar o cargo em abril do ano que vem para se tornar a primeira mulher a assumir em definitivo o comando do Estado. E para impulsionar sua pré-candidatura ao governo nas eleições de 2018. Mas ela garante que mesmo se Richa decidir permanecer até o final do mandato, pretende disputar o Palácio Iguaçu. Sua principal bandeira é priorizar a educação para a primeira infância. 

Casada com o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP) e mãe da deputada estadual Maria Victória (PP), Cida Borghetti assegura - na segunda da série de entrevistas do Bem Paraná com os pré-candidatos ao governo - estar preparada para a missão. Fala ainda do episódio do casamento de sua filha e diz o que acha de seu partido ser apontado como a sigla com o maior número de políticos denunciados na operação Lava Jato. 

BP - O Paraná nunca teve uma mulher eleita para o comando do governo do Estado. Sente-se preparada para ser a primeira?
Cida – É uma honra muito grande assumir uma posição tão importante como dirigir o Estado sendo a primeira mulher. Me sinto preparada. Me preparei ao longo de todos esses anos como parlamentar por três mandatos consecutivos: deputada estadual, federal. Aqui no Paraná mesmo como deputada fui autora de várias leis, como a da criação das regiões metropolitanas no Paraná e a regulamentação (das RMCs) de Maringá e Londrina. Ampliando os serviços, transporte, saúde, ligações interurbanas,. Também instituímos o dia da mobilização e luta contra o câncer de mama. O Paraná foi pioneiro e pautou o Brasil. Hoje a lei é federal. Presidi a comissão que aprovou o marco legal da Primeira Infância, que é esta lei mais avançada hoje no Brasil e no mundo em atenção à criança de 0 a 6 anos, e serve de base para o programa do governo federal “Criança feliz”. 

BP – A senhora acha que o eleitor paranaense está preparado para votar em uma mulher para o governo ou ainda existe um certo preconceito?
Cida – Eu não encontro esse preconceito. Tenho uma relação muito positiva com homens e mulheres. Essa é uma característica, talvez, da mulher, de buscar esse apoio de homens e mulheres, e simpatizantes. 

BP – Qual a sua opinião sobre o movimento feminista? A senhora se considera feminista?
Cida – Todas nós temos o nosso lado feminista, feminino. Eu defendo a igualdade de direitos. Por exemplo, o salário. Muitas mulheres que ocupam posição de destaque tal qual o dos homens, e com a mesma qualificação, às vezes, até uma qualificação até mais elevada, só que o salário é menor. Esse é uma discussão bastante antiga e atual. 

BP – Qual seria a sua principal bandeira como pré-candidata ao governo?
Cida – tenho um foco muito forte e me preparei na defesa das crianças e adolescentes. É priorizar a educação infantil. Preparar o Paraná para o futuro através de uma política muito ampla e segura para a primeira infância. Se nós tivermos esse compromisso com a educação na primeira infância, estaremos preparando uma geração extremamente organizada através de um programa de nutrição, saúde, educação, direitos humanos, cultura. Dentro do nosso programa da primeira infância é um guarda-chuva muito grande.

BP - O governador Beto Richa ainda não definiu se vai deixar o cargo para disputar o Senado. Caso ele decida ficar, a senhora é candidata mesmo assim?
Cida – É uma decisão pessoal do governador sair agora no início de abril. Mas eu entendo que há uma grande possibilidade e chance do nosso governador Beto Richa ser eleito em uma das duas vagas no Senado. Caso ele não dispute nós estaremos colaborando até o último dia do mandato. Seguindo uma orientação do meu partido de que terá candidato à sucessão do governador, nosso nome está referendado pelos diretório nacional e estadual para disputar. Mesmo ele não saindo. 

BP - O ajuste fiscal provocou grande desgaste, com queda na aprovação do governo, principalmente após o confronto de 29 de abril de 2015. Qual a sua opinião sobre esse episódio?
Cida – O processo do ajuste fiscal, hoje, você olhando para trás e olhando os outros estados brasileiros, foi necessário. Possibilita ao Paraná crescimento, contas equilibradas, salários dos funcionários pagos rigorosamente em dia. O confronto que houve aqui na praça do Centro Cívico, eu sou contra qualquer tipo de violência. É uma imagem negativa para o Estado. Muitos infiltrados estiveram, e que vieram não para reivindicar os seus direitos. Vieram para promover a baderna.

BP - A senhora teme que o desgaste possa afetar sua candidatura?
Cida – Pode haver um desgaste, isso é natural, mas de um segmento pequeno, daqueles que vieram para promover a baderna. E não aquelas pessoas: professores, sindicalistas e tal, que vieram reivindicar os seus direitos. Esses eu tenho absoluta certeza que entendem.

BP - O governo suspendeu os reajustes dos servidores por dois anos, até 2019. Eleita, a senhora pretende manter essa política ou revê-la?
Cida – É um novo momento. Acho que isso a gente vai conversando com os líderes, os deputados, com o próprio governo. E saber se é possível uma conversa nesse sentido. Mas foi aprovado, nê?

BP - O governo também tem antecipado receitas. Isso pode afetar a próxima administração?
Cida – A Secretaria Fazenda, o secretário Mauro Ricardo, é um expert nessa Pasta. O Paraná está em um bom momento e segue nessa crescente. Eu creio que o Paraná vai estar muito bem, cada vez melhor. 

BP – Não teme que esse dinheiro falte lá na frente?
Cida – Não. Vai estar muito bem equilibrado.

BP - O País hoje vive um clima de extrema polarização e confronto político. A sua família, inclusive, viveu uma situação influenciada por esse clima, no casamento de sua filha, que foi alvo de manifestações. Como a senhora vê esse episódio hoje?
Cida – Sobre o episódio do casamento eu quero aqui registrar a minha indignação de um grupo de baderneiros. A palavra correta é essa. Sindicalistas que estiveram lá carregando e levantando bandeiras. Segmentos partidários que convocaram manifestações através das redes sociais, facebook, e foram em um momento...Eles erraram o momento. Porque ali era uma celebração de um casamento entre dois jovens e seus familiares e amigos. Não era um ato político, não era uma reunião partidária. Não estava havendo ali nenhuma votação polêmica. Era uma reunião de dois jovens sonhadores que planejaram esse dia tão importante na vida de qualquer ser humano. Então a infelicidade desses grupos que estiveram lá na frente para jogar água, lixo, pedra, pedaços de pau e ovos nos noivos, convidados, familiares. Minha mãe tem 92 anos. Ficou encarcerada na igreja por quase quatro horas. Minhas tias, com 80, 88 anos, da família do noivo idem, ele tem quatro avós, todos acima de 88, 90 anos. Crianças de colo, pequenas. Eu tenho três sobrinhos que levaram pedrada na cabeça. Minha irmã, em um tratamento de câncer, jogaram água e lixo. Ela teve febre alta durante cinco dias consecutivos. Eu acho essa infelicidade de um grupo de anarquistas. Como já disse, manifestações são legítimas. Mas protestar em um casamento de dois jovens que sonharam, e que não vai voltar? Não vai ter outro casamento igual. 

BP – Como superar essa polarização?
Cida – Eu acho que tudo passa por um momento de reorganização política do País. Eu acho que isso está acontecendo. O trabalho dos procuradores da Lava Jato que estão fazendo um belíssimo trabalho. Quero ressaltar o nosso juiz Sérgio Moro, que é uma pessoa predestinada a ajudar a colocar o Brasil nos eixos.

BP - O Ministério Público Federal aponta que o PP, seu partido, é o que tem o maior número de políticos investigados na operação Lava Jato, com 32. Acha que isso pode de alguma forma afetar sua campanha?
Cida – Acho que todos os partidos, não só o Partido Progressista, mas têm inúmeros partidos que já foram apontados através da Lava Jato. Praticamente todos estão sendo investigados. Eu acho que tem que aguardar todas as decisões da Justiça primeiro. Esgotar todas as provas, e se comprovado, aí é uma decisão partidária. 

BP - Qual é a tendência do PP na eleição para a presidência da República?
Cida – Eu acho que ainda é muito cedo. O partido não reuniu ainda para tomar (uma decisão). Será base do governo. É um partido que, eu posso garantir, que depois das eleições, é um partido que sempre é base de governo.

Entrevista cedida para 
Ivan Santos, Bem Paraná 

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