Foz fica fora do Índice de Cidades Empreendedoras 2017 da Endeavor Brasil

O município de Foz do Iguaçu não aparece no Índice de Cidades Empreendedoras 2017, lançado pela organização global Endeavor Brasil. A pesquisa listou 32 cidades no ranking das cidades mais empreendedoras do Brasil (aquelas onde há a maior concentração de cidades que cresceram mais de 20% ao ano por no mínimo 3 anos).

São Paulo apresentou o melhor ambiente para empreender no país, seguida por Florianópolis, Vitória e Curitiba, na quarta posição. No Paraná, Curitiba, Maringá e Londrina figuram a lista. E, na região Sul surgem ainda no ranking as cidades de Joinville, Porto Alegre, Blumenau e Caxias do Sul. O índice não distinguiu os resultados entre capitais ou cidades do interior de cada estado. Apenas considerou o framework para avaliação do ambiente empreendedor.

Pilares para empreendedorismo – De acordo com o framework da Endeavor, considerada a maior empresa de empreendedorismo do mundo, sete pilares ou determinantes, qualificam uma cidade empreendedora: São eles: Ambiente Regulatório, Infraestrutura, Mercado, Acesso a Capital, Inovação, Capital Humano e a Cultura Empreendedora.

Problemas de Foz – No caso de Foz do Iguaçu, os pilares considerados pela Endeavor Brasil revelam problemas estruturantes para o desenvolvimento do ambiente empreendedor na cidade. Entre as dificuldades diagnosticadas, está o ambiente regulatório.

O índice analisa o tempo de abertura de empresas, tempo para regularização de imóveis, custos de impostos, atualizações tributárias, a alíquota média do ISS, entre outros pontos. Neste quesito, a cidade apresenta problemas estruturais em todo o sistema de desenvolvimento econômico e social que impedem e atravancam o ambiente empreendedor.

Falta estrutura – Há problemas também na infraestrutura do município, especialmente quanto ao transporte urbano. Falta conectividade de vias e rodovias, há um número insuficiente de passageiros de voos diretos por ano e uma distância considerável ao porto mais próximo, nesse caso, o Porto de Paranaguá.

A cidade também não oferece boas condições urbanas como o percentual da população com internet rápida, o índice de fluidez do trânsito, o preço médio do metro quadrado no município, a taxa de homicídios para cada 100 mil habitantes e o custo médio de energia elétrica.

Mercado frágil – Outro fator analisado pela Endeavor que evidencia a fragilidade da economia de Foz para promover um ambiente empreendedor é o mercado. O fator considera o desenvolvimento econômico da cidade. Leva em conta o PIB Total, o crescimento real médio do PIB nos últimos 3 anos, a proporção de empresas exportadoras com sede na cidade, o PIB Per Capta, e mais fatores. A ausência de Foz na lista da Endevor Brasil demonstra, desse modo, um mercado pouco propício e motivador para empresas e empreendedores.

Capital escasso – O acesso ao capital também aparece como um pilar de sustentabilidade para o ambiente empreendedor. Todavia, Foz não se destaca nas operações de crédito por município, na tomada de investimento ou linhas de financiamento, nem na disponibilidade de recursos para novas aplicações financeiras nos negócios. A falta de recursos e investimentos na atmosfera econômica repele, naturalmente, o interesse para empreender, o despertar do progresso social e a cultura para o empreendedorismo em qualquer cidade.

Sem inovação – Em termos de inovação, diante do resultado do relatório, faltam mestres e doutores em ciência e tecnologia para cada 100 empresas em Foz. Também não há um índice adequado de infraestrutura tecnológica, nem indústrias inovadoras, empresas com número considerado de patentes ou uma economia criativa em plena atividade. Sem esse perfil, governos, empresas, investidores e pesquisadores não são atraídos para o município. Indústrias também, nesse cenário, preferem outros ambientes mais estimulantes, como o caso das do oeste vizinhas Santa Terezinha de Itaipu e Medianeira.

Mão de obra desqualificada – Outro fator condicionante para estimular o ambiente empreendedor é o capital humano. Ou seja, mão de obra qualificada. Apesar do início da formação do polo universitário, ainda não existe, proporcionalmente, uma taxa elevada de alunos matriculados no Ensino Médio na idade certa (entre 15 e 17 anos).

Há falta de proporcionalidade também de adultos com pelo menos o ensino superior completo. O salário médio dos dirigentes das empresas também é baixo, bem como existem poucos adultos concluintes de cursos superiores de alta qualidade, com notas de 4 e 5 do ENADE.

Cultura pessimista – O pilar mais determinante para afastar Foz do Iguaçu da lista da Endeavor Brasil talvez seja a falta de cultura empreendedora. Nesse sentido, não há uma percepção positiva das pessoas da cidade com respeito ao empreendedorismo, existe falta de visão de oportunidades e um pessimismo generalizado quanto ao desenvolvimento da cidade e do próprio país. Em linhas gerais, os iguaçuenses e moradores não acreditam no empreendedorismo, nem na evolução social ou econômica da cidade.

Nova mentalidade – Para reverter esse cenário e se posicionar entre os melhores ambientes para empreender, Foz vai precisar de um choque de gestão, de uma mudança cultural e de muito planejamento estratégico, alicerçado em estudos sérios e diagnósticos técnicos. O choque de gestão passa por competências administrativas e a fusão de interesses propositivos entre os setores público e privado. O caminho para proporcionar o ambiente propício para o empreendedorismo segue por cada um dos índices preconizados pela Endeavor Brasil, desde incentivos tributários e legalização de imóveis, pela atração de indústrias para geração de emprego e renda, por uma economia criativa, pela qualificação permanente de mão de obra, desde o ensino de base à educação superior, além de um plano eficiente de mobilidade urbana e, sobretudo, o incentivo a uma nova mentalidade que promova o interesse pelo desenvolvimento da cidade e oportunize, especialmente os jovens, a novas possibilidades pessoais e profissionais, despertando o desejo de permanecer na cidade em busca de um futuro renovador. 

PARA LER O ESTUDO COMPLETO DA ENDEAVOR BRASIL, CLIQUE AQUI

 

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