Foz ocupa o 2.533º lugar em Ranking de Eficiência dos Municípios no Brasil

O município de Foz do Iguaçu apresenta pouca ou quase nenhuma eficiência na gestão dos recursos públicos para a oferta de serviços básicos garantidos à população nas áreas da saúde, educação e saneamento.

Apesar do consistente orçamento anual de mais de R$ 1 bilhão, aprovado pela Câmara de Vereadores, em dezembro do ano passado, para o exercício em 2018, a cidade ocupa apenas o 2.533º lugar entre os municípios mais eficientes do Brasil.

Ranking de Eficiência – A classificação de Foz como cidade com alguma eficiência aparece no inédito Ranking de Eficiência dos Municípios, lançado pelo jornal Folha de São Paulo em conjunto com o Instituto Datafolha.

O ranking mostra quais prefeituras entregam mais serviços básicos à população usando menor volume de recursos financeiros. A análise considera indicadores de saúde, educação e saneamento para calcular a eficiência da gestão, medida de 0 a 1 percentual, ao apresentar dados de 5.281 municípios, ou 95% do total de 5.569 cidades no Brasil.

Comparativo – Com um percentual de 0,458, abaixo da metade da nota máxima calculada pelo levantamento, Foz do Iguaçu fica atrás da pequena cidade de Santa Terezinha de Itaipu. O município vizinho apresenta índice de 0,529 de eficiência no ranking (REM) e ocupa o 652º lugar, bem à frente de Foz.

Cachoeira da Prata (MG), com 3.727 habitantes e 0,656 pontos lidera a lista dos municípios mais eficientes do Brasil. A cidade de Lobato, no norte pioneiro do Paraná, surge logo depois, na segunda colocação em todo o país, com índice de 0,646.

No Paraná, Foz perde também para Maringá, considerada uma cidade eficiente pelo ranking da Folha de São Paulo. O município da região norte, com padrões demográficos equivalentes aos de Foz, está na 187 º posição no Brasil. Curitiba, capital do estado, também recebe o crédito de cidade eficiente ao ocupar o 1.212º no Brasil e um índice de eficiência de 0,503.

Gastos públicos elevados – O levantamento revela que nos municípios 5% menos eficientes, com índice de até 0,30, mesmo em período de crise, os gastos públicos aumentaram nos últimos anos, cresceu a dependência de verbas federais e houve um movimento preocupante da perda da dinâmica da indústria, com menos geração de empregos formais e renda às famílias.

A análise parece fazer um paralelo à realidade de Foz do Iguaçu. No final do ano passado, os gastos públicos foram elevados com a previsão de mais de R$ 1 bilhão ao orçamento do exercício em 2018. No contraponto, os indicadores de saúde, educação e saneamento, considerados pelo ranking de eficiência da pesquisa, demonstram a falta de investimentos aplicados pela gestão municipal nesses setores na cidade.

Indicadores – As cidades de Cachoeira da Prata (MG) líder do ranking, Maringá, Curitiba e Santa Terezinha apresentam melhores indicadores ante os resultados obtidos por Foz do Iguaçu, especialmente na área de saúde. Neste critério, Santa Terezinha de Itaipu apresenta o melhor percentual ao acumular 0,759 pontos.  Na área de educação, o município de Lobato, no norte pioneiro do Paraná, se destaca com a nota 0,955.  No indicador saneamento, a partir desse comparativo, o melhor resultado é da cidade de Cachoeira da Prata, em Minas Gerais, com 0,964.

Receita total – Apesar de perder o comparativo com os indicadores em educação, saúde e saneamento, Foz se destaca, proporcionalmente, no volume de receita total do município, atualmente estabelecido em mais de R$ 1 bilhão, previstos para o orçamento deste ano. Perde apenas para Curitiba e Maringá, contudo, no quesito de proporcionalidade demográfica por habitante, supera as demais cidades. Isso porque, Maringá, por exemplo, tem quase o dobro de habitantes, segundo o levantamento e um orçamento estimado em R$ 1,6 bilhões. Os dados de 2013 do ranking também mostram a receita total de Curitiba calculada em R$ 6,4 bilhões e uma população de quase dois milhões de pessoas.

Falta empregos – A falta de investimentos, apesar do elevado orçamento para uma população de pouco mais de 260 mil habitantes, reflete também diretamente no mercado de trabalho. O nível de emprego e renda em Foz do Iguaçu perde ainda para outras cidades do oeste do Paraná.

Os dados mostram que Foz tem 61.031 empregos formais. Destes, pouco mais de 13 mil estão alocados na área de turismo. Somente a indústria Lar, situada em Medianeira, outro município do oeste, gera mais postos de trabalho. A empresa abriga mais de 18 mil vagas de trabalho. Em termos gerais, Cascavel produz ainda mais empregos, totalizando 99.337 postos com carteira assinada.

Para equiparar o desenvolvimento econômico de Foz, ao menos em termos de empregabilidade formal, a cidade precisará oferecer mais de 90 mil empregos formais, com carteira assinada, por meio de novas cadeias produtivas ao lado do turismo, considerado ainda por defensores do setor, como o principal propulsor da economia da cidade.

Gestão ineficiente – Outro dado interessante mostra uma grave contradição nos indicadores de Foz divulgados pelo ranking de eficiência das cidades brasileiras. Mesmo com uma receita alta e com um índice positivo de transferências públicas para aplicação em serviços básicos, a cidade ainda permanece numa posição baixa no levantamento da Folha e do Data Folha.

Para exemplificar, do total de receita, em Foz, pelo menos 60% são transferências públicas de receita. O índice supera Maringá (50%), Curitiba (38%) e Cascavel (51%) de receitas ou orçamento destinado para investimentos e gastos públicos. Na prática, isso pode significar ineficiência na aplicação de recursos públicos e não a falta de recursos para melhorar os serviços oferecidos à população.