Foz vai encolher – Artigo Phelipe Mansur

Cidade cosmopolita e mundialmente conhecida pelas belezas naturais, Foz do Iguaçu encolhe, ano a ano, em densidade demográfica e em produção de bens e serviços. A redução do número de habitantes, notoriamente, é um nítido reflexo da falta de planejamento da economia municipal nas últimas décadas, da omissão de diferentes setores no processo de ordenamento da cidade e da migração por melhores oportunidades.

Os números atestam este cenário de encolhimento demográfico e de falta de perspectivas econômicas. Entre os anos de 2009 e 2011, a população de Foz despencou de 325.137 para 255.900 habitantes, figurando o pior resultado entre todas as cidades do Paraná para o mesmo período.  Apesar do aumento populacional nos últimos anos – subiu de 255.900 em 2011 para 263.915 -, em 2016 – as projeções mostram queda impressionante da densidade populacional nas próximas décadas. O cenário revela ainda que Foz apresentou o pior índice de crescimento populacional em 2017 no Paraná e que o número de moradores na cidade recuará, ao manter esta curva descendente, para 220 mil habitantes até 2040.

A economia de Foz também desaqueceu entre 2009 e 2015. Entre os 42 maiores municípios do Estado, Foz está apenas na 36ª posição quando o assunto é crescimento econômico, segundo o Valor Adicionado Fiscal. O mercado de produção em Foz cresceu 55,29% enquanto municípios da região oeste como Cascavel os índices subiram para (111,84%); Toledo (123,62%); Marechal Cândido Rondon (138,67%) e Medianeira 196,97%. Detalhe é que o VAF total do Paraná cresceu 89,38%, portanto, acima do próprio avanço registrado em Foz.

A renda média do iguaçuense também despencou entre 2009 e 2015.  A cidade fica apenas na 39ª posição entre os 42 maiores municípios no Estado quando o assunto é crescimento da renda, com uma renda média de R$27.838,20 anuais para cada iguaçuense e um crescimento de 55,29%. Foz está atrás do crescimento médio do estado (77,47%), além de estar bem atrás do crescimento dos vizinhos do oeste: Marechal Cândido Rondon (97,37%), Toledo (89,96%), Cascavel (84,55%) e Medianeira (83,17%). Esse baixo desempenho, tanto do crescimento da produção, quanto da renda média, demonstra claramente o plano equivocado para o desenvolvimento da cidade.

As medidas adotadas pela elite empresarial e política da cidade, nos últimos anos, simplesmente não funcionaram. Ao manter-se esta projeção e curva ascendente, a cidade caminha para o encolhimento econômico e demográfico. O percentual de empregos na cidade caiu de 21,39% para 17,39% e o número de estabelecimentos reduziu de 19,93% para 17,26%. Ao manter essa tendência, não haverá como reverter o movimento de encolhimento da economia e da cidade. Além disso, parte da população economicamente ativa seguirá migrando para outros municípios e regiões. Somente o turismo, considerado o motor da economia, não será suficiente para comportar toda a demanda de produção, emprego e renda. O censo de 2010 mostra que o turismo gera, diretamente, em Foz, pouco mais de 11 mil empregos formais.

Em termos comparativos, somente a cooperativa LAR gera 9.643 empregos formais. A cooperativa Frimesa gera 7.091 empregos formais e o frigorífico Friella gera cerca de 1.500 empregos formais. Somadas, as três companhias, na região oeste, geram 18.234 empregos formais. O volume representa 65,64% mais vagas registradas do que todos os empregos com carteira assinada produzidos pelo setor turístico iguaçuense. No âmbito geral, Foz tem uma economia grande em comparação aos demais municípios. Contudo, o crescimento de produção iguaçuense desacelerou nos últimos anos.

Muitas lideranças políticas e empresariais da cidade não gostam de discutir esse tema, pois implica responsabilidade sobre a condução de estratégias consideradas erradas e a necessidade de novas medidas. A maioria das mudanças, inicialmente, gera desconforto ou remove qualquer segmento da zona de conforto. Todavia, sem o debate profundo e um diagnóstico real da cidade, não haverá possibilidade de reverter este processo de encolhimento e regressão econômica e social de Foz do Iguaçu.

Phelipe Mansur é coordenador geral da Casa Civil no oeste do Paraná.

 

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