Hospital Municipal de Foz realizou 32 captações em 2018

Parana Divulga Foz do Iguaçu, Oeste, Sem categoria

O ano de 2018 foi marcado pelo aumento no número de captações de órgãos no Hospital Municipal Padre Germano Lauck (HMPGL), em Foz do Iguaçu. Ao todo, 32 procedimentos de múltiplos órgãos foram feitos ao longo do ano, possibilitando a melhora na qualidade de vida de dezenas de pessoas que aguardavam por um transplante. Em 2017 foram 20 captações.

Dos 82 hospitais paranaenses que realizam as captações de órgãos, o Hospital Municipal ocupou o 4º lugar para doações efetivas em 2018, ficando atrás do Hospital Universitário de Londrina, Hospital Nossa Senhora do Rocio de Campo Largo e Hospital Universitário Cajuru de Curitiba. 

A Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do HMPGL representa a base de todo esse processo. Formada por uma equipe multiprofissional da área de saúde, tem a finalidade de organizar, no âmbito da instituição, rotinas e protocolos que possibilitem o processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes. 

“Esta conquista demonstra a confiança das famílias dos doadores num setor bem sensível e que ainda apresenta muitos tabus. Todo esse empenho da equipe multiprofissional tem garantido que a instituição cumpra seu papel junto à sociedade”, destaca o médico intensivista Roberto Almeida, coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HMPGL e também, coordenador da CIHDOTT.

A coordenação de todo o processo fica a cargo da Central Estadual de Transplantes, auxiliada pelas quatro Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) – localizadas em Londrina, Maringá, Cascavel e Curitiba.

Regulamentada pela Portaria nº 905/GM/MS, em 16 de agosto de 2000, a CIHDOTT é composta de uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, e é obrigatória em hospitais públicos, privados e filantrópicos com mais de 80 leitos.

De acordo com o diretor-presidente da instituição, Sérgio Fabriz, a Comissão tem a missão de esclarecer todas as dúvidas da família e dar a ela segurança para a resposta, seja positiva ou negativa. “A dor para a família doadora neste momento é imensa, mas acredito, que ao aceitar, a conscientização da importância de doar os órgãos, fala mais alto”, disse Fabriz.

Entraves

Segundo dados da ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, a taxa de não autorização familiar é ainda o maior entrave, apenas no Paraná foi menor que 30% (27%), enquanto em vários estados esteve em torno de 70%. ”Os familiares desempenham um papel de suma importância no processo de doação e a aceitação pode representar a única esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço para pessoas que precisam de doação”, pontua Almeida.

Atualmente, o Paraná ocupa a liderança nacional de doações efetivas de órgãos, com 49,2 doações a cada milhão de população no período de janeiro a setembro. Até novembro do ano passado, o estado contabilizou 493 captações de órgãos, segundo a atualização do Sistema Estadual de Transplantes do Paraná.

Para ser um doador

No Brasil, para ser doador, não é preciso deixar nada por escrito, e sim comunicar à família, pois somente os parentes podem autorizar a doação.

Há dois tipos de doador.

1 – O primeiro é o doador vivo. Pode ser qualquer pessoa que concorde com a doação, desde que não prejudique a sua própria saúde. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão. Pela lei, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Não parentes, só com autorização judicial. Pessoas menores de 21 anos precisam de autorização dos responsáveis.

2 – O segundo tipo é o doador falecido. São pacientes com morte encefálica, geralmente vítimas de catástrofes cerebrais, como traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral).

Processo

Os órgãos doados vãos para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes.

O Brasil tem 33.407 pacientes cadastrados em lista de espera para um transplante dos seguintes órgãos: rim, fígado, coração, pulmão, pâncreas, pâncreas/rim e córnea. A maioria aguarda pela doação de um rim: 22.429 brasileiros. A segunda maior demanda é a córnea, com 8.769 pacientes na lista de espera.

Dados da ABTO apontam que destes mais de 30 mil pacientes que aguardam na lista de espera, 22.990 ingressaram no primeiro semestre de 2018 e 1.852 não sobreviveram. No estado do Paraná, das 186 pessoas que aguardam um rim, 18 morreram neste período.

Um único doador de órgão é capaz de ajudar pelo menos 10 pessoas que aguardam por um transplante. É uma vida, numa fila de espera para quem tem a única chance de sobreviver. É a vida compartilhada de quem se declara um doador.