Só para Inglês ver – Artigo Gilberto Rios

Localizado no encontro dos rios Paraná e Iguaçu, o Marco das Três Fronteiras é de fato um lugar que poderia ser algo inimaginável para um turista, mas não é. Confesso-lhes que neste sábado ensolarado imaginei que iria ver um pôr do Sol deslumbrante as margens dos Rios tomando um belo chopp com aquela vista deslumbrante tendo o meu olhar sobre os três países. De fato os rios se encontravam e cheios e as suas águas corriam serenas, calmas e deslumbrantes, valeu a pena, salvou o meu passeio àquela calmaria. Mas o que tinha então de errado? Tudo!

Fizeram um local inteiramente comercial, bonito sim, não há o que negar, porém muito acanhado que dois ônibus de turistas que chegaram ali juntos comigo foram suficientes para encher, dando pouca mobilidade para as pessoas e meu chopp contemplando as aguas dos rios junto com o pôr do Sol foi pro brejo. O restaurante, longe das margens onde você sequer poderia ver o rio porque a barreira de turistas do acanhado lugar tomava-lhes toda a sua visão foi o suficiente para eu desistir de ficar naquele local e esperar a atração noturna que soube depois de relatos com os moradores de Foz, que tem do lado Argentino também. Ora, beber por beber o meu chopp, fico em outro local sem aquele tumulto. Daí, sem ser mais turista e agora um morador da cidade, apesar de pagar um ingresso por não ter ainda a cidadania Iguaçuense cheguei à péssima conclusão, foi o ingresso mais caro que paguei para conhecer um ponto turístico. Imaginei que iria num local onde pudesse conviver com cidadãos de Foz em perfeita harmonia com os turistas e não num local feito com um intuito puramente comercial, até que fosse e eu até poderia fazer um esforço para tentar entender, mais que pudéssemos ter aquele local como a orla de Foz, com mais espaços gastronômicos, mais opções de lazer porque neste dia até o auditório estava sem uso e não havia alí ninguém para explicar o motivo dele está sem uso ou o que mesmo eles mostrariam naquele local, de bom mesmo naquele instante...o ar condicionado ligado para refrescar os turistas daquele calor.

Nosso olhar no local de fato nos fascina, mas se fixarmos mesmo eles para o lado Argentino, veremos que os hermanos souberem aproveitar melhor aquilo que a natureza ofereceu aos três países, proporcionar pra eles e aos turistas a beleza do encontro dos rios com três países, justamente aquilo que eu imaginei quando queria contemplar o pôr do sol num local prazeroso, mais no meu país e de graça. Mas porque não fizemos igual ou melhor que os Argentinos mesmo cobrando? Porque não fizemos do local um espaço público já que temos a oportunidade de nos aproximarmos mais dos rios onde é notório que a cidade cresceu historicamente de costas para eles? Daí ficou fácil entender, privatizaram o local e quando o fazem, logo aparece os interesses e consequentemente deixando ele inatingível para os Iguaçuenses, diferente dos Argentinos que fizeram do seu lado um local atrativo para a população curtir, o turista é apenas consequência dele que vai deixar divisas, um espaço gostoso para se fazer inclusive piquenique, um espaço aberto e inclusivo, logo lembrei de um poema de Mario Quintana, Das Utopias: “ Se as coisas são inatingíveis ora! Não é motivo para não querê-las...Que triste os caminhos se fora a presença distante das Estrêlas”! Pura verdade, este poema se encaixou muito bem para este momento e que algum desavisado não me venha falar do lado Paraguaio, nos poupe.

Imaginemos se um dia a população de Foz que tem entrada gratuita resolvesse fazer um dia de piquenique naquele local, cem famílias iriam disputar a tapa o espaço, mas experimenta fazer isto do outro lado? Seremos capazes de ouvirmos Astor Piazolla, gol da Argentina. Bom, agora vem à parte para raciocinarmos: “O Marco das Três Fronteiras recebeu 298.368 visitantes de 102 países durante o ano de 2017. O atrativo caiu no gosto de turistas e moradores. Brasileiros, argentinos, paraguaios, chineses, peruanos, colombianos, franceses, uruguaios e americanos lideram o ranking de nacionalidades que visitam a atração turística”. Esta foi à manchete da imprensa local nesta semana. Fantástico os dados, mas digamos que 15% deste número são moradores de Foz e os demais foram turistas que desembolsaram e eu como contribuinte e um recém-morador da cidade me questiono. “Se a área é publica e foi feita uma concessão, que benefício Foz do Iguaçu está tendo com ela”? Pra aquele investimento acanhado o lucro não está sendo exorbitante? Pra onde ele esta sendo revertido?

O Marco das Três Fronteiras é um dos lugares mais exuberantes do mundo, sim. Mas se eu fosse de uma empresa de turismo, levaria para o lado Argentino, espero que não haja “jabá” neste negócio que o faça a levá-lo para o lado Brasileiro, e ainda traria Azeite de oliva de boa qualidade e barato, cheguei à conclusão que passear no Parque Nacional das Cataratas é indubitavelmente bem mais barato (apesar do ingresso mais caro) do que no Marco, recomendo então para os meus leitores que atravesse para o lado dos Hermanos, o lado brasileiro foi feito para Inglês ver!

Comments 2

  1. Vc visitou o lugar antes da reforma? Pois estava aos cuidados do poder público, caso não tenha visto procure fotos de antes e depois.
    E caso vc não saiba a conclusão da reforma ainda não foi feita. E use papel higiênico ao invés de guardanapo pra limpar a sua boca.

    1. Ops, bingo! O leitor acima “não” identificado referendou o texto, agradeço-lhe, pena não ter se identificado. O Brasília de Fato está aberto ao direito de resposta a hora que o escondido quiser. Mas porque Bingo!? Porque ele acaba de dizer que o Poder Público de Foz do Iguaçu não tem competência para assumir o local, daí a privatização. Os hermanos não viram assim do outro lado. Mas adoraria que ele respondesse para onde estão indo os recursos, seriam de grado para todos os iguaçuenses, eita Jabá!

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